Perashá: Shelách – Estudo para 24 de Sivan de 5781 – 04 de junho de 2021

1) Perashá: Shelách – Bamidbár/Números 13:1-15:41: O Povo recebeu a Torá no Monte Sinai e está pronto para entrar na Terra Prometida. Há um consenso entre as Israelitas que devem mandar espiões para verificar se é possível conquistar a Terra. Moises sabe que a promessa do D’us de nos dar aquela Terra incluía, também, a garantia de sua conquista. Entretanto, um dos princípios de vida que aprendemos desta parashá é que o Todo-Poderoso dá a cada um de nós livre-arbítrio para irmos na direção que bem escolhermos.

Então Moises, por decreto Divino, envia os chefes das tribos (homens do mais alto calibre espiritual) para espionar a terra. 12 espiões são mandados, 10 voltam com o relato de que existiam grandes fortificações e gigantes, e incitam o povo a não entrar na Terra. Yehoshua ben Nun (Josué) e Calev ben Yefunê (cunhado de Moises) tentam se opor à rebelião, mas não obtêm sucesso. O D’us decreta que o povo vagará 40 anos pelo deserto, um ano por cada dia que espionaram a Terra. Isto aconteceu em Tishá BeÁv (9 de mês de Av), uma data reconhecida em toda a história Judaica por suas tragédias: a destruição de ambos os Templos em Jerusalém, a expulsão dos Judeus da Espanha, em 1492, e a saída do 1º trem para o campo de concentração, Aushwitz, entre elas.

2) D’Var Torá, por Rabino Kalman Packouz – Nesta perashá, o D’us dá a Terra de Israel ao povo Judeu. Ao invés de aceitá-la com gratidão e confiar na ordem Divina de adentrar imediatamente, o povo suplicou a Moises para enviar espiões. O resultado? Após ouvir o relato dos espiões, acabamos vagando 40 anos pelo deserto e jejuando todo Tishá BeAv (o aniversário no calendário Hebraico do dia do relato dos espiões)… Um presente não está relacionado apenas com quem se presenteia e também não apenas com quem deu.

Trata-se de uma demonstração de relacionamento. O doador deve usar o máximo de sua sensibilidade para dar um presente que a outra pessoa aprecie (não como algumas pessoas que encontram em casa algo que querem se livrar e procuram sobre quem podem descarregar o ‘fardo’). O recebedor deve aceitar o presente com apreciação e boa vontade, mesmo que não tenha gostado do que ganhou. Quando alguém recebe um presente, além do sentimento de gratidão, surge também um sentimento de obrigação em relação àquele que o presenteou. Muitas pessoas acham que já não têm mais o mesmo grau de independência no relacionamento após receber um presente. Pelas leis Judaicas, um juiz precisa recusar um caso se tiver recebido qualquer tipo de presente de algum dos litigantes. Mesmo um presente de valor mínimo pode comprometer o bom senso do recebedor. É algo que precisamos ter em mente!

Costuma-se dizer que a Terra de Israel é o único lugar que uma pessoa pode desenvolver seu caráter apenas estudando a geografia do terreno. Ao norte fica o Kineret, o Mar da Galiléia.

O rio Jordão desemboca nele pelo topo e continua seu curso pela parte inferior. O rio apresenta muitos peixes e tem vida ao seu redor. Depois ele continua correndo para o sul e desemboca no Mar Morto. E dali não prossegue. O nome já diz tudo: não há peixes mas minerais e químicos no Mar Morto e há pouca vida ao seu redor (hoje existe grandes plantações de tamaras).

De forma semelhante acontece conosco: se recebemos e damos, então estamos vivos e geramos vida ao nosso redor. Mas se apenas recebemos sem dar… não há muita vida nem em nós nem ao nosso redor.

3) Pirkei Avót: No livro Pirkei Avót (Ética dos Pais) 3:14, Rabi Akiva (1º século E.C.) ensinou: “Bem aventurado é o homem que foi criado à imagem Divina. E um amor especial demonstrou D’us ao informar-lhes que foram criados à Sua imagem”. O que ele quis dizer com “um amor especial demonstrou D’us ao informar-lhes que foram criados à Sua imagem”? Quando alguém presenteia o outro e explica o benefício que está lhe proporcionando, demonstra um apreço muito maior pela pessoa do que aquele que dá e não se incomoda de falar sobre o motivo do presente ou o seu valor. Por exemplo: quando alguém dá uma jóia à mulher sem se importar de contar o valor da pedra e do metal, o esforço que fez para comprar algo especial para ela, etc, demonstra mais que está fazendo aquilo por obrigação do que por carinho e, por examplo, cuidado com seu cônjuge.

Qual a maior dádiva que podemos dar a alguém? Não são apenas coisas materiais, mas o entendimento que a vida tem significado e que a vida desta pessoa também tem significado para nós! A vida é significativa e todos temos um propósito nela!

4) História Judaica – Segunda-feira, 31 Maio, 20 Sivan, Mártires de Blois (1171) Dia 20 de Sivan é aniversário do primeiro libelo de sangue na França. Nesta data em 1711, cerca de 40 judeus, homens e mulheres, foram queimados vivos na cidade francesa de Blois pela infame acusação de que os judeus usavam o sangue de crianças cristãs na preparação de matsot para Pêssach.Domingo, Quarta-feira, 2 Junho, 22 Sivan, Miriam entra em quarentena (1312 AEC)

Miriam, a irmã mais velha de Moshê, foi afligida por tsaarat (lepra) após falar negativamente sobre Moshê, e ficou de quarentena fora do acampamento por sete dias – como está relatado em Bamidbar 12. Quinta-feira, 3 Junho, 23 Sivan, Jeroboam faz uma barricada a Jerusalém (797 AEC) Após o falecimento do Rei Shelomô em 797 AEC, Jeroboam ben Nebat, membro da tribo de Menassê, incitou dez das doze tribos de Israel a se rebelarem contra o filho e herdeiro de Shelomô, Rehoboam. A Terra Santa foi dividida em dois reinos: “O Reino de Israel” ao norte, com Jeroboam como rei e Samaria como capital; e ao sul o “Reino de Yehudá” com sua capital Jerusalém, onde Rehoboam reinou sobre as duas tribos (Yehudá e Beniamin) que permaneciam leais à casa real de David. O centro espiritual do país, porém, permaneceu Jerusalém, onde estava o Templo Sagrado construído por Shelomô, e onde todo judeu era obrigado a fazer uma peregrinação três vezes ao ano para os dias festivos de Pêssach, Shavuot e Sucot.

Considerando isso uma ameaça à sua soberania, Jeroboam colocou, a 23 de Sivan, obstáculos nas estradas para impedir a peregrinação do povo a Jerusalém. Em vez disso, ele introduziu a adoração de dois ídolos na forma de bezerros de ouro, que ele consagrou nas fronteiras norte e sul de seu reino. As barricadas permaneceram no lugar durante 223 anos, até que Hosea ben Elah, o último rei do Reino Norte as removeu em 15 de Av de 574 AEC. A esta altura, as dez tribos que ali residiam já tinham sido expulsas da terra numa série de invasões por diversos reis babilônios e assírios.

A última dessas invasões ocorreu em 556 AEC, quando Shalmanessar da Assíria conquistou completamente o Reino de Israel, destruiu sua capital, exilou o último dos israelitas que ali morava, e restabeleceu o país com povos estrangeiros de Kutha e Babilônia. Estes povos – depois conhecidos como “Samaritanos” – assumiram uma forma de Judaísmo como religião, mas nunca foram aceitos como tal pelos judeus; mais tarde, construíram seu próprio templo no Monte Gerizim e se tornaram inimigos ferrenhos dos judeus. Nunca mais se ouviu falar das “Dez Tribos Perdidas de Israel”, e esperam a chegada de Mashiach para se reunirem com o povo judeu.

5) O Decreto de Haman é revogado (357 AEC) Mesmo depois de Haman ter sido enforcado a 16 de Nissan de 357 AEC, seu perverso decreto de “destruir, matar ou aniquilar todos os judeus, jovens ou velhos, mulheres e crianças em um só dia, o 13º do 12º mês (Adar)” permaneceu válido. A Rainha Esther suplicou ao Rei Achashverosh para que anulasse o decreto, mas o rei insistiu que “uma ordem escrita em nome do rei, e selada com o selo do rei, não pode ser revogada.” Em vez disso, ele sugeriu a Esther e Mordechai para “escrever, sobre os judeus, à sua vontade, e selá-lo com o selo do rei.” Em 23 de Sivan, Mordechai rascunhou um decreto real dando aos judeus a licença de se defenderem e matar todos que os atacassem, e despachou-o para todas as 127 províncias do império de Achashverosh (Livro de Esther, cap.8).

6) Sexta-feira, 04 de Junho, 24 de Sivan: Acendimento das velas de Shabat em Petrópolis RJ: 04/06, 16:56h; 05/06 Termino de Shabat: 17:52h. 7) Sabado, Shabat, 5 Junho, 25 Sivan, Os Egípcios “Exigem” Ouro e Prata (Século 4 AEC) Os representantes egípcios apareceram na corte de Alexandre o Grande, exigindo que os judeus pagassem restituição por todo o ouro e prata dos egípcios que levaram com eles durante o Êxodo. Geviha, filho de Pesisa, um judeu simples mas sábio, pediu permissão aos sábios para apresentar a defesa em prol dos judeus. Geviha pediu provas aos egípcios de que os judeus tinham fugido com sua fortuna. “O crime está claramente registrado em sua Torá,” responderam alegremente os egípcios. “Neste caso,” disse Geviha, “a Torá também diz que 600.000 judeus foram injustamente escravizados pelos egípcios durante muitos, muitos anos. Então vamos primeiro calcular quanto vocês nos devem…

”A corte concedeu três dias para os egípcios prepararem uma resposta. Quando foram incapazes de fazê-lo, fugiram no dia seguinte, 25 de Nissan, e jamais retornaram. Nos tempos talmúdicos, o dia em que a delegação egípcia fugiu era celebrado como um mini-feriado. Três dos “Dez Mártires” são mortos (2nd century CE) Dentre os milhões de judeus assassinados pelos romanos estavam os “Dez Mártires” – todos grandes sábios e líderes de Israel – imortalizados numa prece especial recitada em Yom Kipur. Três deles – Rabi Shimon ben Gamliel, Rabi Ishmael ben Elisha e Rabi Chanina S’gan Hakohanim – foram mortos em 25 de Sivan.

7) Leis e Costumes – Shabat Mevarechim – Este Shabat é Shabat Mevarechim (o Shabat que “abençoa” a entrada de um novo mês). Uma prece especial é recitada abençoando

Rosh Chodesh (Cabeça do Mês) do mês vindouro. Antes da bênção, anunciamos a hora exata do molad, o “nascimento” da lua nova. É um costume Chabad recitar todo o Tehilim, Livro de Salmos, antes das preces matinais. Ética dos Pais: Capítulo 3 – Em preparação para a Festa de Shavuot, estudamos um dos seis capítulos da Ética dos Pais do Talmud (Avot) na tarde de cada um dos seis Shabatot entre Pêssach e Shavuot; esta semana estudamos Capítulo Três. (Em muitas comunidades– o ciclo de estudo é repetido durante todo o verão, até o Shabat anterior a Rosh Hashaná.)nLeis e Costumes: Leitura da Torá: Perashà Shelach (Bamidbar 13:1-15:41); Haftará: Yehoshua/Josué 2: 1-24; 1-“E Josué, filho de Nun enviou dois homens fora de Sitim para espionar secretamente, dizendo: Vai ver a terra e Jericó. E eles foram, e chegaram à casa de um estalajadeira chamada Raabe, e eles ali…” 23: E os dois homens voltaram e descer do monte, e atravessou e veio a Josué, filho de Num, e contaram-lhe tudo o que tinha acontecido com eles.24. E disseram a Josué:-Porque o Senhor nos tem entregue nas mãos toda esta terra, e também os habitantes do país têm derreteu por causa de nós.

8) Pensamento da Semana: “Nunca conte com seus amigos para conseguir dinheiro nem conte com seu dinheiro para conseguir amigos!”

TENHA UMA SEMANA MUITO BOA, SAUDÁVEL E CHEIA DE ALEGRIA! SHABAT SHALOM!
Coordinador: Saul Stuart Gefter, 24 de Sivan de 5781 – 04 de junho de 2021