Perashá Matót- Perashá Massê – 29 de Tamuz de 5781- 09 de Julho de 2021

1) Perashá Matót- Perashá Massê, Bamidbár/Números 30:02-32:42 – A Parasha Matot inclui as leis sobre como fazer/cancelar juramentos, o ataque surpresa a Midián em resposta à devastação causada pelos Midianitas aos Israelitas; a purificação, após a guerra, das pessoas e dos utensílios, dedicando uma parte dos espólios para o uso comunitário; a requisição, por parte das tribos de Reuven e Gad, de que suas terras ficassem do lado leste do rio Jordão. Moises rejeita o pedido, porque pensou que estas tribos não queriam participar da conquista da Terra de Israel; as tribos lhe esclarecem que serão as tropas avançadas no ataque e,então, recebem permissão para se estabelecerem na área de Transjordânia.

2) Perashá Massê, Bamidbár/Números 33:1-36:13 – inicia-se com um resumo de toda a rota viajada pelo povo judeu durante seus 40 anos no deserto, começando com seu Êxodo do Egito e concluindo com sua chegada às margens do Rio Jordão. Após ordenar ao povo para expulsar todos os habitantes da Terra Santa, a Torá delineia as fronteiras exatas da terra de Israel. Já que os levitas não receberiam uma porção como os demais, cidades especiais foram separadas para eles. Alguns destes locais serviriam também como cidades de refúgio para alguém que, sem intenção, tenha matado uma pessoa, e então fugiria para uma destas cidades para buscar abrigo e evitar a vingança de um parente próximo da vítima, lá permanecendo até a morte do atual Cohen Gadol (o Sumo Sacerdote). Após estabelecer os parâmetros para as várias categorias de assassinato, o livro Bamidbar conclui com informação mais completa a respeito das filhas de Tslofchad e as leis sobre herança.

3) DvarTorá: Baseado no livro “Ame Seu Próximo” do Rabino Zelig Pliskin: Depois de enfaticamente explicar queum assassino não pode resgatar com dinheiro sua própria pena de morte (ao ter cometido um assassinato intencional) ou se exilar numa Cidade Refúgio (por um assassinato não intencional), a Torá declara: “Vocês não devem poluir a terra onde estão … ” “deixando de fazer justiça” (Bamidbár-Números 35:33). A palavra “poluir”em Hebraico é “tachanífu”, que também significa “bajulação” ou “adulação”. O Sifrí (livro que explica nossas leis) nos explica que este versículo nos proíbe de bajular ou fazer elogios não sinceros. O Grande Rabino Sefaradi, Rabeinu Yoná (Espanha,?-f.1263 E.C.), autor do livro Shaárei Teshuvá (Os Portões do Arrependimento), um dos livros clássicos do Judaísmo, nos dá os seguintes enfoques sobre a bajulação:

i) A pior forma de a bajulação é dizer a uma pessoa “Você não fez nada de errado”, sabendo que o sujeito cometeu uma transgressão. Isto leva à repetição dos maus atos.

ii) É considerada bajulação dizer a uma pessoa ruim que ele (ou ela) é um bom sujeito. Mesmo não diz que seus crimes foram atos apropriados, é errado elogiá-lo.

iii) Deixar de censurar alguém quando estamos em posição de fazê-lo é considerado bajulação e adulação. Se uma pessoa pode protestar contra malfeitores e não o faz, ele é considerado responsável por seu comportamento. Nossa lição: Não devemos nos omitir, pensando que ‘não temos nada há ver com o assunto’. A qualidade de nossa sociedade depende dos atos corretos de cada um de nós.

4) DvarTorá: Reflexões sobre o mês de Tamuz – Há alguns fatos que ocorreram nesta data e que merecem ser citados. O dia 17 de Tamuz é um dia de jejum em lembrança à 5 tragédias que assolaram o povo judeu em diversas épocas de sua história. O 1 destes foi o fato de Moises ter quebrado as Tábuas da Lei. Nas preces de Selichot, rezadas neste dia, há menção sobre a quebra das Tábuas, sem referência ao motivo (o bezerro de ouro). Isto porque a milagrosa escrita Divina gravada nas Tábuas nunca mais foi recuperada. Foi perdida para sempre esta forte revelação Divina cujas letras estavam gravadas de fora a fora, de forma legível sob qualquer ângulo e cuja mensagem podia ser claramente transmitida, sem qualquer possibilidade de distorção. O número 21 (soma dos dias das Três Semanas) forma a palavra hebraica “Ach”, que significa apenas 17 (de Tamuz) tem o valor numérico da palavra hebraica Tov, bem. Ambas iniciam um versículo que diz: “Ach tov Leyisrael”, “Apenas o bem para Israel”. Isto mostra que, de modo mais profundo, os acontecimentos desagradáveis das Três Semanas, na realidade, levarão somente as coisas boas.

5) O Número 3, no judaísmo, representa perfeição e eternidade. E assim está escrito: “A corda tríplice não se desmanchará facilmente”. De fato este número é recorrente: há três Patriarcas, três Festas de Peregrinação, a Lei Escrita é composta de três partes (o Tanakh, Torá, Neviim (os Profetas) e Ketuvim (Escritos Sagrados), entregue no 3º mês após a saída do Egito, ao povo judeu formado por 3 grupos (Cohen + Levi (o tribo das Levitas) e Yisrael (o tribo de Judá plus as remanescentes dos 10 tribos perdidos)… Se o número 3 é tão significativo, por que então tantas tragédias recaíram sobre o povo judeu durante as Três Semanas? A resposta é que todo este sofrimento são etapas que levam à Era Messiânica. Isto é aludido ao fato dos dois jejuns, 17 de Tamuz e 9 de Av, sempre coincidirem com o mesmo dia da semana do Sêder de Pêssach, quando comemoramos a saída do Egito e nossa libertação.

6) História Judaica – Datas para lembrar: Quinta-feira, 8 Julho, 28 Tamuz, Falecimento de Rabi Moshe Teitelbaum, Z”L, (1759-1841) de Uhely, Hungria, autor de Yismach Moshe e patriarca das dinastias hassídicas húngaras. Sexta-feira, 9 Julho, 29 Tamuz, Falecimento de Rabi Shlomo Yitschaki, conhecido como “Rashi”, faleceu em 29 de Tamuz de 4865 (1105 EC).

Rashi nasceu em Troyes, França, em 1040. Seus comentários sobre a Torá, Profetas e Talmud são universalmente aceitos como o instrumento fundamental para a compreensão destes textos, tanto para eruditos quanto para estudantes. Diversos comentários foram feitos sobre seus comentários. Em suas famosas “Palestras sobre Rashi”, o Rebe (de Chabad) demonstrou repetidamente como o estilo de Rashi, de “significado simples do texto”, abrange muitas camadas de significado, muitas vezes resolvendo dificuldades profundas no texto e apresentando interpretações novas e inovadoras com uma simples escolha de palavras ou refraseando uma passagem do Midrash. – Acendimento das velas de Shabat antes de pôr do sol. Em Petrópolis RJ, 09/7, 17:03h; Termino de Shabat, 10 de julho: 17:59h.

7) Shabat, 10 Julho, 1 Av, Falecimento de Aharon (1273 AEC) Aharon, o primeiro Sumo Sacerdote, irmão de Moshê e Miriam, faleceu aos 123 anos em 1 de Av de 2488 (1273 AEC).

Este é o único yahrtzeit (data de falecimento) mencionado explicitamente na Torá (Bamidbar 33:38). Ezra e seus seguidores chegam a Israel (348 AEC) Após uma longa jornada a partir da Babilônia, Ezra e sua comitiva chegaram a Israel para ficarem perto do recém-construído Segundo Templo Sagrado em Jerusalém. Um grupo relativamente pequeno acompanhou Ezra; na maioria os judeus, incluindo grandes eruditos de Torá, preferiu permanecer na Babilônia devido às difíceis condições que então prevaleciam em Israel. Leitura da Tora: Perashot Matót-Massei, Bamidbár/Números 30:02-32:42; 33:1-36:13; Haftará: (Os Profetas): Jeremias 2:4-28; 4:1-2. “Capitulo 2: 4. “Ouve a palavra do Senhor, ó casa de Jacó, e todas as famílias da casa de Israel.” Capítulo 4:1-2: 1. Se você voltar, ó Israel, diz o Senhor, para mim, você voltará, e se você remover as suas coisas detestáveis da minha presença, você não deve vaguear. 2. E você vai jurar “, como o Senhor vive,” na verdade e na justiça e na retidão, as nações serão abençoadas com ele e se vangloriar ele.”

8) Para Contemplar – Aqueles de nós que apreciam o que significa ser Judeu são os responsáveis pela situação de nosso Povo. Por quê? O Povo Judeu é uma unidade. A saúde espiritual de nossa nação é afetada para o bem ou para o mal por cada um de seus membros. Portanto, o destino de cada Judeu está inextricavelmente amarrado às ações de seu vizinho. O Talmud (Shabat 55a) relata uma fascinante situação entre D’us e os anjos, que nos ensina uma profunda lição sobre até onde vai nossa responsabilidade mútua. No livro do profeta Ezequiel (9:4), está escrito: “D’us disse para o anjo: ‘Vá a Jerusalém e faça uma marca com tinta na testa dos justos, para que os Anjos da Destruição não os ataquem. Faça também uma marca de sangue na testa dos perversos, para que sejam atacados pelos Anjos da Destruição’.

9) O Atributo da Justiça falou para D’us: ‘Mestre do Universo: Por que um grupo é diferente do outro?'” D’us respondeu: ‘Um grupo é formado por pessoas justas, o outro por pessoas perversas’. O Atributo da Justiça replicou: ‘Mestre do Universo, mas os justos poderiam ter protestado contra as atitudes dos perversos e não o fizeram’. D’us disse: ‘É sabido e revelado perante Mim que se tivessem protestado, de nada adiantaria’. O Atributo respondeu: ‘Porém os justos não sabiam disto!’

Está escrito, então: ‘Os Anjos da Destruição iniciaram sua tarefa pelos justos que se encontravam na frente do Templo Sagrado’. Esta é a punição dada àqueles que (de acordo com a própria avaliação Divina) não poderiam ter sucesso, não importa o quanto se esforçassem. Então, como é grande nossa responsabilidade nesta geração, quando o sucesso está claramente ao alcance de nossas mãos! Por que choramos na geração de Moises, mesmo após D’us ter nos tirado do Egito, ter nos dado o Maná, um poço de água que acompanhava o Povo, as Nuvens de Glória que nos rodeavam e nos protegiam, mesmo assim ainda dissemos que Ele não conseguiria nos levar à Terra de Israel. Não confiamos Nele–porque não fomos agradecidos por tudo que Ele fez por nós.

10) Pensamento da Semana: “Ame as pessoas pelo que elas são; Não as julgue pelo que não são!”
Com os melhores desejos para uma semana muito boa, saudável e próspera, e Shabat Shalom!

Coordenador: Saul Stuart Gefter, 29 de Tamuz de 5781- 09 de Julho de 2021

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